Crédito: ChatGPT (DALL-E)
Uma cidade é feita para pessoas diferentes: pessoas que caminham, usam cadeiras de rodas, têm diferentes formas de enxergar, ouvir, se comunicar, aprender e se relacionar com o mundo. Reconhecer essa diversidade é criar condições para que todos possam circular, estudar, trabalhar e participar. Quando isso não acontece, surgem barreiras que limitam a participação e tornam desigual aquilo que deveria ser um direito. Nem todas as barreiras são visíveis. Elas podem estar em uma calçada sem condições de circulação, em um prédio sem acesso adequado ou em um transporte que não atende a todos. Também podem surgir na falta de informação acessível, oportunidades e recursos, ou em atitudes que afastam pessoas da vida em comunidade.
Em Montes Claros, organizações da sociedade civil como ADEMOC, APAE, Capelo Gaivota e Vovó Clarice atuam para enfrentar parte desses desafios. Por diferentes caminhos, desenvolvem ações voltadas às pessoas com deficiência e ampliam possibilidades de desenvolvimento, autonomia e participação. Esse trabalho também ajuda a transformar a maneira como a deficiência é compreendida. Muitas vezes, a dificuldade não está na pessoa, mas em um ambiente inadequado, em serviços que não contemplam diferentes necessidades ou na falta de oportunidades para que ela exerça plenamente suas capacidades.
Pensar em acessibilidade é, portanto, pensar em participação. Escolas, espaços esportivos e culturais, empresas e serviços precisam estar preparados para atender diferentes pessoas e necessidades. Essa transformação depende de políticas públicas, investimentos e planejamento, mas também de atitudes cotidianas. Respeitar uma vaga reservada, não bloquear uma passagem acessível, ouvir as pessoas com deficiência e combater o preconceito são formas concretas de exercer cidadania. As organizações da sociedade civil têm papel fundamental porque conhecem de perto as pessoas, suas famílias e os desafios que enfrentam. Sua experiência mostra que inclusão não se constrói apenas com boas intenções: é preciso conhecer necessidades, criar oportunidades, fortalecer vínculos e transformar práticas. Essa responsabilidade é compartilhada. Cabe ao poder público garantir direitos; às instituições, rever práticas; às empresas, ampliar oportunidades; às organizações da sociedade civil, mobilizar e construir soluções; e a cada cidadão, perceber como suas atitudes podem facilitar ou dificultar a participação de alguém.
Uma cidade acessível não é aquela em que pessoas com deficiência precisam se adaptar ao que já existe. É aquela que reconhece a diversidade desde o início e constrói espaços, serviços e relações que possam ser vividos por todos. Perceber as barreiras é o primeiro passo para removê-las. Inclusão não acontece quando abrimos uma exceção para alguém, mas quando construímos uma cidade em que participar é, de fato, um direito de todos.
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01 de setembro de 2026
Cidadania em Foco